Transporte Suplementar em BH – Linha S50

PROPOSTA +

[ Descrição do processo ]

Histórico e resumo:

O sistema de Transporte Suplementar foi implantado pela BHTRANS em novembro de 2001, menos de seis meses depois dos conflitos entre a polícia e perueiros (motoristas que faziam transporte clandestino de passageiros na capital mineira). Na época, a Avenida Afonso Pena chegou a ser fechada pelos piratas durante vários protestos. Criando o Transporte Suplementar, a proposta da Prefeitura de Belo Horizonte era que pessoas físicas – e não empresas, como acontece com os ônibus normais – administrassem o serviço, o que permitiu a antigos perueiros participar da concorrência.

O serviço prestado pelas linhas suplementares deixa muito a desejar. Em 2008, a BHTrans recebeu 996 queixas de passageiros do Suplementar na capital, ou 83 por mês. Descumprimento de pontos de embarque e desembarque lidera o ranking, com a média de 23 casos a cada 30 dias, seguido por desobediência ao quadro de horário (11), direção perigosa (10), reclamação de idosos (6) e superlotação (5). O aumento do número de micro-ônibus é a principal reivindicação dos usuários.

A linha S50 percorre um trajeto que vai do bairro Caiçara ao Nova Vista, atendendo o campus UFMG e o Minas Shopping. Grande parte dos usuários são alunos da UFMG e se queixam frequentemente do atendimento oferecido pela linha, principalmente nas redes sociais.

Proposta da matéria:

Tendo em vista os problemas revelados pela pré-apuração da rotina da linha S50, a proposta é acompanhar de perto o cotidiano de usuários e trabalhadores (motorista e trocador) que utilizam a linha diariamente. Em um primeiro momento, pretende-se contextualizar o histórico dos pirueiros que foram regularizados e passaram a compor a linha suplementar.

Como foco, a matéria fará uma tentativa de dar um diagnóstico da situação da linha, com enfoque na quantidade, comodidade, segurança e atendimento aos passageiros. Será importante também tentar entender o lado do motorista que, ao mesmo tempo, precisa do maior número de passageiros possível para lucrar e tem o dever de atender a todos que necessitam do transporte. Sabendo mais sobre a(s) realidade(s) de quem frequenta, a BHTRANS será acionada e informada do levantamento, para que o órgão responsável pelos coletivos em Belo Horizonte possa se pronunciar e dar um retorno à comunidade.

Perguntas:

  1. Como é o funcionamento da linha S50 dentro do sistema de transporte suplementar em BH?
  2. Quais problemas a criação das linhas suplementares em BH se propuseram a solucionar?
  3. Esses problemas ainda existem?
  4. Quais são as maiores reclamações dos usuários dessas linhas? Qual o posicionamento da BHTrans frente a elas? E em relação ao Sindpautras?
  5. Como os profissionais do transporte suplementar se vêem diante das reclamações dos passageiros e das determinações da BHTrans?
  6. Que soluções esses profissionais sugerem para as questões propostas pelos usuários?
  7. Como a BHTrans se posiciona em relação à fiscalização e correção dos problemas das linhas suplementares?

Fontes:

Instituições:

  • Sindicato dos Permissionários Autônomos do Transporte Suplementar de Passageiros dos Municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Sindpautras)

    Endereço: R. Dr. Alvaro de Camargos, 99, Santa Mônica,Belo Horizonte – MG

    Tel.: (31) 3451-6629 | Site: http://sindpautras.org.br/

Documentos:

  • Lei Nº 8.987, de 13 de Fevereiro de 1995.

    Dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos previsto no art. 175 da Constituição Federal, e dá outras providências. (versão atualizada)

Matérias:

Personagens:

  • Motoristas da linha S50
  • Passageiros da linha S50

Recursos de linguagem:

  • Fotografia e texto.

Apuração com usuários e motoristas:

O S50 é o único da linha suplementar que atende a UFMG como um todo e faz parte do percurso dentro do campus Pampulha. Nos horários próximos ao início e término das aulas, seja pela manhã, tarde ou turno da noite, a cena que se repete é a de micro-ônibus superlotados, com usuários literalmente esmagados entre as portas e o amontoado de pessoas no interior do veículo. Fora dos horários de pico, os ônibus passam vazios e sobram assentos, é uma situação que contrasta com os horários de maior volume de passageiros.

Nosso produtor embarcou na linha cinquenta para conversar com passageiros e motorista. Questionado sobre o porquê de os ônibus andarem tão cheios, um condutor que não quis se identificar, disse que os proprietários dos carros (os próprios motoristas) já propuseram a troca do micro-ônibus por veículos maiores como os das linhas convencionais. Mas, segundo ele, a BHTRANS negou a possibilidade, alegando que as vias da cidade não suportariam o fluxo adicional.

Às, 06h da manhã, com o ônibus já lotado, o motorista continua parando a cada ponto até que a última fresta seja ocupada. Os passageiros se esmagam e tentam se encaixar uns nos outros para que caiba mais um. Em alguns momentos, como forma de protesto, quem já passou pela roleta se nega a chegar mais para trás. O motorista e o trocador pedem várias vezes para que eles deem um “passinho” em direção a traseira do veículo, para liberar espaço. Alguns passageiros se irritam e resmungam, mas acabam se mexendo.

Quando o ônibus chega na universidade, aos poucos o veículo se esvazia e o coletivo segue com o fluxo normal definido pela BHTRANS, máximo de 12 sentados e 22 em pé. Na hora do rush, passaram de 35 os que não tinham lugar para sentar.

Equipe

Aline Carvalho, Amanda Almeida, Marlon Henrique, Victor

Etapas desta publicação

Desenvolvimento
Produto

9 comments

  • PauloSantos

    Legal a proposta de verificar este meio alternativo de transporte, mas que possui caráter oficial. Vai ser interessante conferir os acertos e erros de um modelo distinto da concessão às empresas de ônibus tradicionais. Sugiro que o enfoque contemple observar como um serviço que era suplementar tornou-se essencial ao formato de transporte público implementado em BH. Boa sorte! =)

  • Marina Dayrell

    Gostei bastante da pauta de vocês. Acredito que, como eu, muitas pessoas não saibam que o suplementar foi criado como uma forma de integrar os antigos perueiros no ramo fiscalizado de transporte público. Pensando nisso, creio que seja de grande proveito explorar um pouco mais esse paralelo entre a vida de perueiro e a atuação como motorista do suplementar. Sugiro que vocês encontrem algum antigo perueiro que, de fato, tenha ganhado a concorrência para trabalhar no s50. Esse dado será útil para verificar se essa implementação é verídica ou se é apenas uma manobra para diminuir o transporte informal. A partir desse ponto, talvez caiba explorar as diferenças de trabalho entre um posto e outro (peruas e suplementar), levantando aspectos positivos e negativos.

  • melissagomes

    Gostei do enquadramento escolhido por vocês, é de grande utilidade pública investigar as questões propostas na pauta.
    Já que perguntarão às fontes sobre os problemas da linha S50, sugiro procurar também alguem que está satisfeito com o funcionamento da mesma. Alguém que utilize exporadicamente, como eu, e nunca teve problemas.
    Assim terão um resultado mais equilibrado na apuração. Bom trabalho!

  • eduardarodrigues

    Gostei muito do recorte e fiquei curiosa para entender mais o funcionamento dessas linhas suplementares. Não fazia ideia que ele não estava ligado aos demais ônibus que circulam por BH. Eu sempre desço caminhando pelo caminho que o 50 faz ao entrar na Universidade e sei bem a lotação que ele anda. A matéria aparenta pesar para o lado da denúncia, por isso é necessário apurar bem as queixas e entender o dois lados.

    abs

  • Anna Claudia Pinheiro

    Gostei muito da pauta de vocês porque sou passageira do s50 e já passei por alguns apertos. Esperar por ele no campus à noite é sempre uma surpresa. Acredito que essa liberdade deles em relação à Bhtrans é mais negativa que positiva, mas também compreendo que são muitos passageiros para poucos (e pequenos) veículos. Acho legal apontar esses prós e contras da independência da Bhtrans. Bom trabalho!

  • Natalia Ferraz Menezes

    Bem legal essa pauta, gente! Acho muito importante fazer a contextualização dos perueiros, até porque muita gente não sabe disso mesmo, mas é bom tomar cuidado para que esse fato não ocupe o lugar de informações que poderiam ter mais destaque na matéria. Outro ponto ao qual se deve ter atenção é com os dados. 996 queixas aos suplementares parece ser um número muito alto, mas fica difícil mensurar sem saber quantas queixas recebem as linhas comuns, por exemplo.

  • MarcosFernandes

    Pauta muito bem produzida. Acho que o mais interessante vai ser abordar a complexidade de um sistema que deixa de ser clandestino para atender à população – mas limitado, ainda, pelo caráter de um serviço privado, sujeito a ordens e regras individuais.

  • ps.ingred

    Não sabia desse histórico. Embora ache curioso, acho válido levarem em consideração o que disse a Natália sobre não deixar isso ser o foco. Mas tendo em vista o bom trabalho que fizeram até agora, acredito que terão um ótimo resultado!

  • terezinhasilva

    Boa pauta, pré-apuração e boas contribuições também d@s colegas.
    Embora a pauta de vocês vai requerer mesmo certas fontes oficiais, tentem não se prender só a elas e às suas declarações/promessas/avaliações. É preciso estar sempre atentos e críticos a estas informações (de qualquer fonte de informação). Tentem apostar também na observação, vivência e experiência de um ou mais trajetos que vão fazer neste suplementar, neste período: o que veem, o que escutam, os diálogos, as queixas etc. O texto final talvez até possa assumir este formato de “uma viagem” narrando como é isto e, aos poucos, vão acrescentando (em grande estilo) alguns dados e informações oficiais. Nosso desafios nestas reportagens será fazer narrativas diferenciadas: outros sentidos não explorados, outras formas de escritura, etc.
    bom trabalho!

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